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O carreto custa a sair!

Paulo Jesus escreveu:
Amigo Águas.
Gostaria de saber duas coisas, estou a montar um motor que trouxe dum sucateiro no Alentejo e ao desmontar todos os orgãos do motor verifiquei que a cambota apesar de não ter qualquer folga nas bielas (segurando na cambota pela ponta da biela com uma mão e dando uns murros secos na zona onde leva a cavilha do piston) não sei se utiliza o mesmo processo para ver se uma cambota tem folga ou está gripada ???
Bom, adiante, verifiquei que alguns dentes do carreto da mesma estão desgastados e mordidos.
A minha 1ª pergunta é se por acaso tem alguma cambota gripada que não precise de modo a tirar o carreto a fim de substituir o da minha.
Quanto á 2ª pergunta é se tem um saca para isso e se me poderia fazer esse trabalho minucioso.
Durante os 12 anos que estive na citroen em Sacavém vi fazer isso por um torneiro que trabalhava na oficina e que tinha esse saca mas que infelizmente já morreu há alguns anos.
Gostaria de ler sobre o assunto.
Um abraço bicavalista.
Paulo Jesus
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Caro Paulo
O grande problema, consiste de facto em tirar o carreto da cambota, pois os sacas normais não costumam dar, porque por traz do carreto, está o moente de alumínio e uma anilha, que não deixam senão um pequeno espaço para os grampos do saca prenderem. Tive em tempos um torneiro que fez uma complexa ferramenta que segurava o moente e depois, na prensa, apoiando essa ferramenta carregava-se na ponta da cambota e a cambota descia, enquanto o moente ficava seguro nas placas. Outro problema que é preciso encarar é o comando do carreto, que é de grande rigor, portanto, é preciso marcar rigorosamente no veio da cambota a posição do ponto de referência, e depois ao montar o novo carreto, respeitar com todo o rigor essa referência. Caso contrário, poderá ficar com um super motor (no pop-cross, havia quem se servisse desse truque, que sendo regulamentar, dava um bom resultado nas performances), ou então arrastar-se penosamente a 80 Km. por hora, prego a fundo. Consoante fique deslocado para um lado ou para o outro.

Ainda durante a montagem, ao fazer pressão para enfiar o carreto, terá de se respeitar a folga axial do moente. Para não deixar folga a mais, (ventoinha anda para táz e para a frente) ou a menos (sujeito a gripar por não haver espaço para a lubrificação). Quanto ao carreto, tenho cá alguns já desmontados. O problema talvez seja encontrá-los.
Para ver se a cambota está boa, de facto, usa-se o sistema das motorizadas, como disse, mas para ser mais rigoroso, lava-se muito bem a cambota, até sair a lubrificação que eventualmente ainda se encontre entre as bielas e os respectivos cavilhões.
Um abraço
Augusto